
A Grande Asae, que permitiu que os portugueses tivessem um Verão descansado com a sua titânica, épica e imortal luta contra a bola de Berlim, escolheu o alvo de Inverno: fecha o Quarteto, o que sempre é uma contribuição para a regeneração da meia dúzia de fanáticos que não querem ir aos cinemas da Castello Lopes e proíbe a ginginha, na mítica minúscula tasca do Rossio, onde secularmente o bebia o típico licor envenenou gerações de portugueses, que podem agora passar a ir beber um sherry à Suíça, ou melhor ainda, uma Coca-cola ao Centro Colombo.
O jornal também traz outra notícia da fúria normalizadora. Parece que o esfíngico ministro dos Negócios Estrangeiros resolveu, sem dar cavaco a ninguém (nem ao próprio), assinar o acordo ortográfico. Nem os seus colegas da cultura (entretida com o "Mar da língua portuguesa") ou da educação (entretido sabe-se lá com quê) tiveram uma palavra a dizer, na ligeireza célere e obviamente inconsciente como tudo foi tratado. Espera-se agora a época em que uma espécie de Asae vá à saída dos prelos e às bibliotecas, novamente de lápis azul em punho, riscar os agás mudos e retirar os cês metediços. Com notícias destas, nem com uma sargalheta de perdiz grelhada e um tinto da Cartuxa, deixa de ser um dia péssimo (embora ajude a minimizar os estragos).
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